Nilton Claudino
Em maio de 2008, o fotógrafo Nilton Claudino, do jornal O Dia, se mudou para a favela Jardim Batan, na zona norte do Rio de Janeiro, para fazer uma matéria sobre a milícia que atuava na comunidade. Claudino alugou uma casa com uma repórter e um motorista do jornal. Fingindo ser marido da repórter, aos poucos os dois foram fazendo amizade com os moradores do local. Claudino fotografou os policiais e os guardas penitenciarios que faziam parte da milícia, a movimentação nas ruas e as punições aos moradores da favela.
Duas semanas depois da chegada ao bairro, o fotógrafo, a jornalista e o motorista foram pegos pelos integrantes da milícia.
“Fomos algemados, encapuzados com toucas pretas e enfiados no banco traseiro de um carro. Rodamos alguns minutos atrás da chave de onde seria nosso cativeiro. Para evitar a avenida Brasil, nossos sequestradores entraram em uma estrada vicinal com muitos quebra-molas. No caminho, apanhamos mais. Um deles brincava de roleta russa com o revólver na minha cabeça. Eu tinha certeza de que seríamos mortos. Ao chegarmos, notei que a casa que serviu de cativeiro parecia estar em construção. Havia brita espalhada pelo chão. Eles falavam: vai morrer, vai morrer!”
Hoje, Nilton Claudino vive escondido, longe da esposa e dos dois filhos. Leia o seu relato completo na matéria Minha dor não sai no jornal, da revista Piauí.